As mulheres representam 52,8% do eleitorado apto a votar em 2026 (83,8 milhões), mas somam apenas 34,8% das candidaturas registradas no TSE, concentradas em partidos de menor porte ou com menor repasse proporcional de verba dos fundos partidários. Em paralelo, dados consolidados do IBGE (Censo/PNAD) e levantamentos da FGV mostram que mais de 51% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres — percentual que ultrapassa os 53% em diversos estados. Nos lares monoparentais (mães solo), o rendimento médio chega a ser até 40% menor em comparação com domicílios masculinos equivalentes. Em 86% dos casos de cuidados de idosos são as mulheres (idade média de 48 anos) que exercem tal função, deixando seu emprego, renda (média de R$ 3.000,00) e consequente recolhimento do INSS para aposentadoria. Ou seja, serão as idosa pobres no futuro. As mulheres também centralizam as decisões de consumo, saúde, educação e rotina da família. Esse trabalho não pago segura o país funcionando.
Nos outros 65,2% de candidatos homens, o perfil predominante continua sendo branco (48,7%), casado, com ensino superior completo (58,5%) e ocupações ligadas ao empresariado, advocacia e política tradicional. Tal perfil dominante do candidato tenta dialogar com a “família tradicional” no modelo conceitual, mas ignora a “família real” chefiada por mulheres trabalhadoras em jornadas duplas/triplas. Sua alta escolaridade tende a usar discursos tecnocráticos ou genéricos que não dialogam com a realidade das eleitoras, secundarizando a economia do cuidado e tratando pautas como vagas em creches de tempo integral, ampliação do horário de postos de saúde e iluminação pública como “questões menores” ou restritas ao âmbito municipal/assistencial.
Em cenários eleitorais altamente disputados, a falta de aderência à rotina do eleitor custa pontos percentuais decisivos. E independente do perfil do candidato ou da orientação ideológica do partido, a vitória nas urnas depende da capacidade de traduzir a realidade do território em propostas viáveis e comunicação assertiva. E isso não se faz por intuição ou leituras cristalizadas de coordenadores de campanha e/ou amigos do candidato, mas usando pesquisa e inteligência de dados que mapeiam com precisão o perfil dos territórios em disputa, identificando os gargalos específicos de infraestrutura e segurança por micro-região.
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